segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Máquinas do tempo do futuro podem ser detectadas hoje!!

Paradoxo do avô

As viagens no tempo não são descartadas pela relatividade geral, embora possam criar problemas para as leis do senso comum.

Agora, uma equipe de físicos está propondo um novo modo de verificar a possibilidade ou a impossibilidade de estados quânticos que viajam para a frente e para trás no tempo.

O novo critério automaticamente desautoriza versões quânticas do "paradoxo do avô", segundo o qual uma pessoa viaja de volta no tempo e mata seu antecessor, garantindo assim a sua própria morte.

A equipe também realizou um experimento que ilustra o mecanismo de anulamento desse paradoxo.

Loops temporais

A relatividade geral, a teoria de Einstein do espaço e do tempo, permite a existência de loops temporais, as chamadas curvas temporais fechadas (CTCs na sigla em inglês: closed timelike curve) - rotas que avançam no tempo e, em seguida, voltam novamente para reconectar-se e formar circuitos fechados, também conhecidas como linhas lorentzianas do tempo.

Embora ainda não esteja claro se as CTCs podem ser criadas, os físicos têm explorado suas possíveis consequências, incluindo a sua influência na mecânica quântica.

Um evento quântico comum pode envolver duas partículas que se movem para frente no tempo, alterando-se mutuamente ao interagir em algum momento e, então, seguem caminhos separados rumo ao futuro.

No entanto, se uma das partículas, seguindo seu próprio futuro, entrar em uma CTC, ela pode voltar e reassumir sua posição como uma das partículas anteriores à interação - influenciando assim a sua própria transformação.

Estados quânticos

Em 1991, o físico David Deutsch, da Universidade de Oxford, propôs uma condição de consistência para evitar paradoxos nas viagens no tempo: uma partícula que volta no tempo desta forma, ao reaparecer no passado imediato à interação, deverá estar no mesmo estado quântico que estava quando partiu da interação para o futuro.

Para ver como essa condição funciona, imagine uma partícula quântica tendo estados chamados 0 e 1. Ela viaja em uma CTC e, em seu retorno, interage com uma partícula "externa" de tal forma que o 0 se torna 1 e o 1 se torna 0.

Tal partícula apresenta o paradoxo quântico do avô: quando ela volta pelo circuito, ela altera seu antigo "self" para o estado oposto.

No entanto, Deutsch mostrou que é possível alcançar a consistência se a partícula estiver em uma superposição- um estado que tem simultaneamente os dois valores, 0 e 1.

A interação altera o 0 em 1, mas o estado geral mantém-se inalterado. Para que isso funcione, a partícula externa também deve estar em uma superposição.

Universos paralelos

O paradoxo é evitado, mas o problema reaparece se a partícula externa for medida.

Nesse momento ela não poderá continuar em seu estado de superposição, devendo tornar-se definitivamente 0 ou 1 - o que significa que a partícula na CTC também não poderá permanecer em uma superposição.

Para preservar a coerência, Deutsch argumentou que a partícula CTC deve existir em dois universos paralelos - um "universo 0" e um "universo 1" - e continuamente alternar entre esses dois universos, de modo que nenhuma contradição ocorra em qualquer um deles.

Lorenzo Maccone e seus colegas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos EUA, e da Universidade de Pavia, na Itália, propõem uma condição mais rigorosa que evita essas dificuldades.



A equipe descobriu que somente os fótons que não geram os paradoxos passaram incólumes pelo experimento. Impossibilidade de alterar o passado

Eles exigem que qualquer medição da partícula que está indo para o futuro produza o mesmo resultado gerado em sua medição quando ela retornar do passado.

Assim, não se permite qualquer estado que possa alterar o passado quando ela voltar no tempo, impedindo o surgimento do paradoxo do avô.

Talvez de forma surpreendentemente, Maccone afirma que "nós ainda podemos ter CTCs mesmo com essa condição forte."

De antemão, somente podem existir estados que evitem os paradoxos após a interação - por isso a equipe chama sua condição de "pós-seleção."

Simulação da viagem no tempo

Para demonstrar essas ideias, a equipe realizou um experimento com fótons, mostrando que a condição de consistência de fato escolhe estados específicos e destrói todos os demais.

Por falta de uma CTC real para realizar a pós-seleção, a equipe criou fótons em um estado quântico específico para a entrada, um estado onde a polarização não era conhecida e nem medida, mas tinha uma correlação com outra propriedade, associada com a trajetória do fóton.

Conforme o fóton atravessava o experimento, ele passou por mudanças que imitam a alternância de 0 para 1 que ocorre no imaginado arranjo da viagem no tempo.

A equipe descobriu que somente os fótons que não geram os paradoxos passaram incólumes pelo experimento.

Embora o resultado esteja de acordo com o esperado, ninguém havia simulado a viagem no tempo desta forma antes.

Detecção de futuras máquinas do tempo

Uma consequência estranha da pós-seleção é que, como a presença de um CTC anula completamente os estados paradoxais, ela pode impedir alguns estados que hoje parecem inócuos, mas que podem ter consequências inaceitáveis no futuro.

"Em princípio, pode-se detectar a existência futura de máquinas do tempo procurando-se por desvios atuais nas previsões da mecânica quântica," afirma Todd Brun, da Universidade da Califórnia do Sul, em Los Angeles.

Embora, segundo ele, seja difícil saber de antemão o que exatamente se deve medir em busca de tais desvios.


Viagem no tempo derrota a Mecânica Quântica

Bibliografia:

Closed Timelike Curves via Postselection: Theory and Experimental Test of Consistency
Seth Lloyd, Lorenzo Maccone, Raul Garcia-Patron, Vittorio Giovannetti, Yutaka Shikano, Stefano Pirandola, Lee A. Rozema, Ardavan Darabi, Yasaman Soudagar, Lynden K. Shalm, Aephraim M. Steinberg
Physical Review Letters
28 January 2011
Vol.: 106, 040403
DOI: 10.1103/PhysRevLett.106.040403

Quantum mechanics near closed timelike lines
David Deutsch
Physical Review D
15 November 1991
Vol.: 44, 3197-3217 (1991)
DOI: 10.1103/PhysRevD.44.3197

Óculos eletrônicos usam lente de cristal líquido!!

A revolução dos óculos


Em 2009, um pesquisador da Universidade de Oxford, na Inglaterra, apresentou uma espécie de óculos universal.A ideia de nunca mais precisar trocar as lentes é tentadora. Mas o protótipo é esquisito, para dizer o mínimo, e exige nada menos do que uma seringa para que o grau seja ajustado.
A ideia do Dr. Ronald Blum parece estar mais alinhada com o estado da arte da tecnologia. Mas que ninguém se engane: a ideia está sendo desenvolvida há 12 anos, segundo ele.
Finalmente, o oftalmologista empresário está colocando no mercado os seus óculos eletrônicos, batizados de emPower.

Óculos eletrônicos

O objetivo dos óculos eletrônicos é um pouco menos ambicioso do que o dos óculos universais alimentados a seringa d'água: eles visam substituir os óculos bifocais ou multifocais.
O efeito é o mesmo, com a diferença de que a pessoa pode ligar e desligar a porção da lente ajustada para a visão de perto, deixando todo o campo de visão livre quando se quer olhar para longe.
As lentes são fabricadas com uma camada interna de cristal líquido, o mesmo material usado nas telas de computadores e TVs. Essa camada está restrita à área onde normalmente fica a lente para visão de perto.
O cristal líquido é controlado por um circuito eletrônico miniaturizado, inserido dentro da armação dos óculos. Na superfície da armação, um sensor de toque funciona como chave liga-desliga do cristal líquido.
No modo automático, acelerômetros detectam quando a pessoa inclina a cabeça, ajustando automaticamente o foco para visão de perto. [Imagem: PixelOptics]Quando o usuário quer ler ou enxergar algo muito próximo, ele toca na lateral dos óculos e o circuito eletrônico envia uma corrente elétrica que muda a orientação das moléculas de cristal líquido.
Esse ajuste do cristal líquido muda a forma como a lente refrata a luz - exatamente o mesmo que se faz ao variar a espessura das lentes comuns para dar-lhes o seu grau.

Óculos automáticos

Mas tudo isso pode ser feito automaticamente. Como um bom equipamento eletrônico de última geração, o emPower possui acelerômetros que detectam quando a pessoa inclina a cabeça, ajustando automaticamente o foco para visão de perto.
As lentes eletrônicas serão fabricadas pela Panasonic, e os óculos eletrônicos serão vendidos pela empresa do Dr. Blum, a PixelOptics.
Os preços deverão variar entre US$1.000 e US$1.200, segundo a empresa, para o conjunto completo, incluindo o carregador das baterias internas dos óculos - cada carga, garante Blum, dura de dois a três dias, dependendo do uso.
Segundo a empresa, não há previsão de venda dos óculos eletrônicos no Brasil.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Microrrobôs voadores não precisam imitar complexidade do voo dos insetos

Veículos aéreos autônomos

No futuro, minúsculos veículos aéreos autônomos serão capazes de voar através de fissuras no concreto para procurar vítimas de terremotos, monitorar áreas contaminadas ou edifícios em risco de colapso.
Mas, no presente, o problema ainda está em projetar o melhor mecanismo que faça essas micromáquinas capazes de voar de forma eficiente.
Pequenos robôs voadores que imitam o bater de asas dos insetos ou dos pássaros têm sido a escolha preferida dos pesquisadores.
O problema é que eles geralmente exigem uma combinação complexa de movimentos para que suas asas lhes deem sustentação e capacidade de manobra.
E mecanismos complicados resultam em maior peso, menor autonomia das baterias e menor autonomia.

Linha experimentalista

O Dr. Robert Wood, da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, acredita que a saída é testar inúmeras combinações de asas e técnicas de movimento.
Wood e sua equipe estão tentando entender como o design das asas pode afetar o desempenho de um microveículo voador do tamanho de um inseto.
"A grande ênfase do nosso programa é o lado experimental do trabalho," afirma Wood. "Nós temos capacidades únicas para criar, operar e visualizar asas nas escalas e frequências de insetos reais."
O grupo está construindo asas e colocando-as para bater em altas frequências, recriando trajetórias similares às que os insetos fazem ao voar.
Durante os testes, equipamentos especiais medem vários componentes de força, permitindo a visualização dos fluxos de ar em torno das asas batendo a mais de 100 vezes por segundo.
As simulações concluíram que uma asa simples (em verde), batendo segundo um movimento senoidal, pode ser a melhor opção para dar sustentação aos microaviões robóticos. Os glóbulos em vermelho e azul mostram os fluxos de ar gerados durante o movimento.


Já Alexander Alexeev e Hassan Masoud, do Instituto de Tecnologia da Geórgia, também nos Estados Unidos, acreditam que o melhor enfoque é estudar a teoria dos movimentos, para só depois partir para a prática.
A dupla usou simulações tridimensionais, feitas em computador, para examinar a sustentação e a aerodinâmica geradas pelo bater de asas flexíveis.
Ao bater as asas, os insetos conseguem uma capacidade de manobra e uma agilidade incomparáveis. Mas o fato é que a física associada com o bater das asas ainda não é totalmente compreendida, sobretudo em escalas muito pequenas.
"Quando você deseja criar veículos cada vez menores, a aerodinâmica muda muito e a modelagem se torna importante," defende Alexeev.
De forma surpreendente, suas simulações concluíram que os mecanismos complicados, que têm dificultado a construção dos insetos robóticos, talvez não sejam necessários.
Eles descobriram que a melhor alternativa é também a mais simples: um simples bater de asas oscilante, sem nenhum movimento adicional.
"Nós descobrimos que o bater de asas simples para cima e para baixo, na frequência de ressonância, é mais fácil de implementar e gera uma sustentação comparável à dos insetos alados, que usam um bater de asas significativamente mais complexo," afirma Alexeev.
Talvez os dois grupos tenham razão em suas abordagens individuais, já que o próximo passo natural depois da simulação é testar o conceito na prática.
http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=microrrobos-voadores-voo-insetos&id=010180110106

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Cientistas criam um laser 3-D

Cientistas da Eslovênia fabricaram o primeiro laser 3-D do mundo.
Na verdade, um microlaser, em forma de gota, no qual a luz laser brilha em todas as direções.

Laser 3-D na holografia

"Este é o primeiro laser 3-D prático já construído," afirma Igor Musevic, do Josef Stefan Institute. E ele e seu colega Matjac Humar garantem que fabricar outros não será difícil - eles poderão ser feitos aos milhões em poucos segundos.
O feito é promissor em termos de aplicações tecnológicas porque o laser 3-D é não apenas pequeno, como é também rápido, ajustável e barato de ser fabricado.
Os microlasers 3-D serão úteis em uma grande variedade de aplicações, mas os cientistas eslovenos vislumbram sobretudo sua aplicação em holografia, para a criação de imagens verdadeiramente tridimensionais.
Para isso, o laser 3-D seria incorporado no interior do objeto a ser imageado. A luz que vem diretamente da fonte cria padrões de interferência com a luz do ambiente. A imagem do objeto pode então ser reconstruída a partir desses padrões de interferência.

Laser líquido

A luz laser tridimensional é emitida por moléculas de corante alojadas dentro de gotas esféricas de moléculas helicoidais, por sua vez dispersas em uma solução líquida.
As moléculas helicoidais são cristais líquidos colestéricos, parentes próximas das moléculas usadas nas telas de cristal líquido (LCD).
As moléculas colestéricas não se misturam bem com o polímero líquido na qual estão imersas. Esta incompatibilidade cria uma situação curiosa: o índice de refração do cristal líquido colestérico varia em direção ao exterior da gota, que tem 15 micrômetros de diâmetro.
É como se as gotas fossem uma cebola, onde as camadas correspondessem a materiais com diferentes índices de refração.
A maioria dos lasers possui dois ingredientes fundamentais: um meio ativo, no qual a energia pode ser transformada em luz e amplificada, e um ambiente ressonante, no qual a luz coerente que está sendo gerada pode se acumular para formar um feixe, que emerge como luz laser.
No caso do laser de microgotas, o meio ativo consiste em todas as moléculas de corante fluorescente alojadas nos cristais líquidos. E a caixa de ressonância consiste não de uma cavidade espelhada longitudinal, como é tradicional nos demais lasers, mas da sequência aninhada de camadas com diferentes índices de refração.
Autofabricação

Outra grande vantagem desse laser líquido é que ele não precisa ser fabricado, no sentido usual que se dá ao termo. Ele se "autofabrica", a partir de reações químicas.
"Milhões de microlasers podem ser fabricados simplesmente misturando um cristal líquido, um corante emissor de laser e um fluido de suporte, o que permite usar os microlasers em equipamentos fotônicos maleáveis," dizem os pesquisadores.
E ele ainda é ajustável: ao variar o espaçamento das moléculas helicoidais - imagine esticar e encolher um parafuso - varia o comprimento de onda da luz que é emitida.
E não é preciso substituir as gotas para variar a cor do laser - suas propriedades ópticas podem ser alteradas modificando a temperatura ou mediante a aplicação de um campo elétrico sobre as gotas.
"Os cientistas vêm tentando fazer esses lasers com materiais em estado sólido, mas você pode imaginar o quanto é difícil construir centenas de camadas alternadas de material óptico, que devem ser muito uniformes," explica Musevic. "A beleza da nossa abordagem é que essa gota 3-D é automontada em uma fração de segundo."
Em 2009, outro grupo de cientistas construiu um laser capaz de emitir múltiplos feixes de luz simultaneamente, mas que não era verdadeiramente 3-D.

Bibliografia:
3D microlasers from self-assembled cholesteric liquid-crystal microdroplets
M. Humar, I. Musevic; Optics Express
20 December 201; Vol.: 18, Issue 26, pp. 26995-27003; DOI: 10.1364/OE.18.026995
http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=laser-3-d&id=010115101216&ebol=sim

Microchip gera sua própria energia

Redação do Site Inovação Tecnológica - 15/12/2010
Há um interesse crescente no desenvolvimento de sensores ambientais, capazes de monitorar não apenas a natureza, mas também o interior de edifícios e a estrutura de grandes obras civis.

Essa tecnologia de sensores agora teve um novo impulso, com a possibilidade de fabricação de microchips que coletam a energia do ambiente, dispensando as baterias.

Integração energética

Um grupo de pesquisadores holandeses e chineses conseguiu pela primeira vez fabricar um processador com uma célula solar de alta eficiência integrada no mesmo chip.
A solução mais simples parece ser fabricar as células solares separadamente e depois encaixá-las em cima do circuito eletrônico, como fizeram pesquisadores norte-americanos ao criar o seu "microssensor perpétuo".
Mas a equipe afirma que esse não é o processo de produção mais eficiente e decidiram partir para a integração total, construindo as células solares camada por camada por cima do processador.
A técnica não apenas utiliza menos materiais como também permite um melhor desempenho do circuito, que passa a consumir menos energia.

Silício amorfo

Mas a integração não está livre de problemas: há sempre o risco de que as etapas da produção da célula solar danifiquem os componentes eletrônicos, eventualmente não a ponto de impedir seu funcionamento, mas o suficiente para anular os ganhos de desempenho.
Por esta razão, os pesquisadores decidiram usar células solares feitas de silício amorfo - em oposição ao silício cristalino tradicional -, mais conhecido como CIGS (cobre - índio - gálio - seleneto).
O processo de fabricação dessas células não influencia a eletrônica, e elas produzem uma quantidade razoável de energia mesmo com a luz disponível em ambientes fechados.
Fora dos processadores, as células solares à base de CIGS, que são totalmente flexíveis, já alcançaram um nível de desenvolvimento suficiente para serem fabricadas em grande escala.
Sensores inteligentes

Com a colocação de uma célula solar diretamente em cima da eletrônica, o chip fica totalmente autônomo, dispensando as baterias ou outras fontes de alimentação.
Desta forma, um sensor pode ter a "inteligência" necessária para coletar e fazer um processamento inicial dos dados, e até mesmo uma antena para comunicação sem fio.
A única restrição desse "sensor inteligente" é que seu consumo deve ficar bem abaixo de 1 miliwatt.
Um enfoque alternativo para o funcionamento de sensores que dispensam baterias são os minigeradores que tiram energia das vibrações do meio ambiente.

Bibliografia:
Above-CMOS a-Si and CIGS Solar Cells for Powering Autonomous Microsystems
J. Lu, W. Liu, C.H.M. van der Werf, A.Y. Kovalgin, Y. Sun, R.E.I. Schropp, J. Schmitz
International Electron Device Meeting Proceedings, December 2010

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Brasileiros querem produzir etanol usando plasma frio

Etanol de segunda geração


A atual fronteira para o crescimento do etanol - a obtenção do chamado etanol de segunda geração - não está na questão das terras agricultáveis e nem na abertura dos mercados externos.
O problema está nas paredes celulares dos vegetais, formadas por um polímero bem conhecido do homem, mas muito difícil de ser quebrado: a celulose.
Desenvolver meios economicamente viáveis para decompor a celulose é fundamental para viabilizar o etanol de segunda geração, que poderá ser extraído de qualquer biomassa, e não apenas da cana-de-açúcar.
Isto permitirá aumentar a produção do biocombustível sem ter que alterar a extensão das plantações, além de levar a indústria para outras partes do país.
As soluções vislumbradas até agora são igualmente surpreendentes. Por exemplo, utilizar enzimas encontradas nos aparelhos digestivos de cupins e de animais ruminantes para decompor a celulose. Os ácidos são outra alternativa.
Etanol feito com plasma
Mas uma equipe do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), em Campinas (SP), optou por uma terceira rota para liberar os açúcares da celulose: bombardeá-los com cargas elétricas geradas por um plasma, um gás ionizado que é considerado o quarto estado da matéria.
A quebra é semelhante ao que ocorre quando se lança mão dos cupins ou das vacas, uma rota na qual as enzimas mudam cargas elétricas de lugar, saturando uma ligação e provocando o seu rompimento.
Após a quebra, surgem espaços que são preenchidos com pedaços das moléculas de água e o novo rearranjo forma os açúcares.
"Vamos tentar fazer isso, só que utilizando uma descarga elétrica", disse Marco Aurélio Pinheiro Lima, coordenador do projeto.
A pesquisa esbarra em dois obstáculos fundamentais: a obtenção do controle do processo e a viabilidade econômica da tecnologia a ser desenvolvida. [Imagem: CTBE]Para dar certo, o processo deve ser controlado e as quebras executadas com cuidado para manter os açúcares intactos, pois são eles que darão origem ao etanol, por meio da fermentação.
A pesquisa deve também revelar outros modos de se fazer álcool, podendo até mesmo pular a etapa da fermentação, por meio de uma combinação de parâmetros até então desconhecida. "Quando se faz pesquisa é preciso estar aberto a descobertas imprevisíveis, pois os resultados podem levar a novos horizontes", disse o pesquisador.

Plasma frio

Algumas pistas para essa via de quebra da celulose vieram de estudos sobre o tratamento do câncer. Foi constatado nessas terapias que os elétrons de baixa energia possuem uma força capaz de quebrar o DNA de células cancerosas.
"Uma cadeia de DNA lembra muito os açúcares", comparou Lima, ressaltando que os elétrons de baixa energia podem ser obtidos dentro de um plasma com baixo custo.
Para o projeto foi escolhido um plasma frio à pressão atmosférica, no lugar dos modelos de baixa pressão, os mais comuns em laboratório. O motivo é desenvolver um meio que apresente viabilidade econômica para ser aplicado no mercado.
"Nesse sentido, o plasma frio à pressão atmosférica é mais barato e não exige tantos recursos para operar, como o vácuo, por exemplo. Não podemos pensar em algo que seja usado somente no laboratório, pois poderá ser uma máquina que atuará em uma escala grande", disse.
Mesmo assim, a equipe do CTBE também pretende estudar os efeitos do plasma de baixa pressão e do plasma em meio aquoso na quebra da celulose.
Os dados levantados ajudarão a obter uma série de conhecimentos básicos sobre o processo de dissociação desses polímeros e aprimorar processos para as biorrefinarias. "Essas serão as usinas do futuro: sempre coladas a uma indústria química que desenvolverá uma infinidade de produtos além do etanol e do açúcar", frisou Lima.
O projeto poderá levar ao controle do ambiente de descarga de elétrons a ponto de o químico escolher resultados desejados visando a obtenção de moléculas de valor comercial mais interessante.
Os experimentos do projeto do CTBE também poderão ser aplicados em outras rotas de quebra da celulose ao dar pistas sobre como uma enzima ou um ácido atuam no processo.
Outra possibilidade é o surgimento de um processo misto que associe rotas diferentes para a obtenção do açúcar. Como a celulose tem uma estrutura fechada em pacotes, os elétrons poderiam, por exemplo, desempacotar o polímero e prepará-lo para um ataque enzimático ou químico.
Em todas essas perspectivas, a pesquisa esbarra em dois obstáculos fundamentais: a obtenção do controle do processo e a viabilidade econômica da tecnologia a ser desenvolvida. Por esse motivo o plasma deve ser barato e de baixa energia, a ponto de compensar a produção do etanol.
"A obtenção do álcool celulósico é conhecida e chegou a ser usada na Segunda Guerra Mundial. Ele só não está no mercado até hoje por ser obtido por meio de um processo caro. Por conta disso, tentamos baratear essa tecnologia e desenvolver novas rotas", disse Lima.
Apesar de estar voltado à cana-de-açúcar, o projeto poderá resultar em tecnologias para a obtenção de etanol a partir da celulose de outras espécies vegetais.
Com isso, estados brasileiros que estão longe das plantações de cana-de-açúcar poderão produzir seu etanol a partir de espécies vegetais de sua região e assim viabilizar o uso local do combustível. "Pretendemos desenvolver tecnologias que possam ser transferidas para outras biomassas de modo que o etanol se torne viável em todo o país", afirmou Lima.
O pesquisador aponta que a pesquisa básica que está sendo desenvolvida abrirá possibilidades nem sequer são imaginadas. "Mesmo que as descobertas não resultem em um processo industrial, elas ensinarão muito sobre o modo como uma molécula é quebrada", ressaltou.
http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=plasma-frio-etanol-segunda-geracao&id=010125101123&ebol=sim

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Vendas globais de PCs frustram expectativas

As vendas globais de PCs cresceram menos do que o esperado no terceiro
trimestre deste ano (7,6% contra 12,7%), segundo a empresa de consultoria
Gartner. “O principal inibidor do crescimento no terceiro trimestre de
2010 foi o abrandamento na demanda de consumo de PCs nos Estados Unidos e
na Europa Ocidental. O terceiro trimestre é historicamente um período de
forte consumo, conduzido pelas vendas de volta às aulas”, disse Mikako
Kitagawa, analista do Gartner. Kitagawa destacou ainda que o emergente
mercado de tablets também influenciou nas vendas de computadores e
notebooks.

A HP lidera o mercado com 17,5%, seguida da Acer (13,1%), Dell (12,2%),
Lenovo (10,4%), ASUS (5,4%), Toshiba (5,3%) e outros (36,7%).

No terceiro trimestre 88.301.595 computadores foram vendidos mundialmente.
Mais informações: http://bit.ly/99pufJ